O projeto de reforma das 46 unidades de educação infantil de Goiânia, anteriormente conhecidas como creches de placa, avança com o investimento de R$ 70 milhões pela Secretaria Municipal de Educação (SME). Com a substituição das estruturas metálicas provisórias por sólidas construções em alvenaria, a capital goiana dá um passo significativo na melhoria da educação infantil e na garantia de melhores condições de segurança para os estudantes. As reformas já estão em andamento e devem beneficiar milhares de crianças da rede municipal.
As chamadas creches de placa marcaram época em Goiás, sendo instaladas por gestões passadas como uma solução emergencial para atender à alta demanda por vagas na educação infantil. Todavia, os anos mostraram que tais estruturas, compostas por materiais metálicos, eram insuficientes para oferecer o conforto e a durabilidade necessários. Além do calor excessivo durante os meses mais quentes, especialistas apontavam problemas de isolamento acústico e manutenção recorrente. Essa realidade se tornou um desafio para os gestores públicos, que buscaram alternativas mais robustas e permanentes ao longo dos anos.
Em declaração recente, a secretária municipal de Educação de Goiânia, Professorª Márcia Carvalho, ressaltou o impacto positivo do projeto: "Essas reformas são uma demonstração do nosso compromisso com a primeira infância. A educação infantil é a base do desenvolvimento humano. Precisamos oferecer ambientes que sejam acolhedores, seguros e adequados ao aprendizado”. Segundo a SME, as obras estão sendo realizadas em diferentes regiões da cidade, priorizando as unidades que apresentavam as condições mais precárias.
O investimento de R$ 70 milhões foi viabilizado por meio de recursos próprios do município, reforçando a independência econômica necessária para a execução de projetos dessa magnitude. A gestão atual tem enfatizado a prioridade da educação em sua agenda, com ênfase especial na infraestrutura escolar e na valorização da primeira infância. Esse direcionamento está em consonância com metas estabelecidas no Plano Nacional de Educação (PNE), que propõe a universalização do atendimento na pré-escola até 2024, além de avanços na qualidade da oferta educacional.
Historicamente, os Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) desempenham um papel crucial no desenvolvimento das crianças até os cinco anos de idade. Além de oferecerem ensino de qualidade, essas unidades funcionam como suporte às famílias, possibilitando que pais e responsáveis tenham condições de trabalhar ou buscar oportunidades de melhoria de renda. Para muitos moradores da periferia de Goiânia, os CMEIs representam um porto seguro diante de uma realidade repleta de desafios econômicos e sociais.
Especialistas na área destacam que a infraestrutura escolar tem impacto direto no processo de ensino-aprendizagem. A pedagoga e pesquisadora Alice Nogueira, da Universidade Federal de Goiás (UFG), explica: "Ambientes escolares bem estruturados contribuem para que as crianças se sintam valorizadas e motivadas. Quando a escola passa uma mensagem de acolhimento e cuidado, isso influencia positivamente o desenvolvimento cognitivo e emocional dos pequenos”. Por outro lado, ambientes degradados podem gerar desmotivação tanto para os alunos quanto para os educadores.
As mudanças não são apenas físicas. A nova estrutura em alvenaria permitirá também a ampliação dos serviços educacionais e o cumprimento de exigências legais sobre segurança e acessibilidade. Algumas unidades receberão ainda novos equipamentos e mobiliários adaptados, promovendo uma experiência de aprendizado mais inclusiva e eficiente. Coordenadores pedagógicos afirmam que o impacto será sentido principalmente por crianças em situação de vulnerabilidade social, que dependiam de CMEIs em condições insatisfatórias.
O caso das creches de placa em Goiás não é isolado no Brasil. Diversos municípios enfrentam desafios semelhantes com unidades escolares provisórias, especialmente em regiões que cresceram rapidamente e sem planejamento adequado. Em muitos estados, a substituição dessas estruturas provisórias por construções permanentes é uma prioridade nas políticas públicas de educação. A gestão de Goiânia, ao avançar com o projeto de reforma, se alinha a uma tendência nacional em busca da universalização do ensino infantil em espaços adequados e dignos.
Além do investimento em infraestrutura, o município pretende acompanhar as reformas com estratégias pedagógicas que engajem a comunidade escolar. A participação das famílias no processo é vista como fundamental para consolidar as mudanças. “Reformar os espaços é um passo essencial, mas precisamos ir além. É necessário criar um ambiente de pertencimento e de diálogo com as comunidades atendidas pelos CMEIs”, afirma a pedagoga Márcia Soares, especialista em educação inclusiva e membro do Conselho Municipal de Educação de Goiânia.
A previsão é que as reformas estejam concluídas até o final de 2024, beneficiando mais de 12 mil crianças matriculadas nos CMEIs de Goiânia. Apesar de o projeto ser amplamente bem-recebido, os desafios logísticos e administrativos não devem ser ignorados. A execução simultânea de obras em grande escala requer planejamento detalhado e fiscalização rigorosa para evitar atrasos e elevações de custo. A transparência na gestão dos recursos públicos será determinante para que o exemplo de Goiânia inspire outras cidades brasileiras.
Com a substituição das antigas creches de placa, Goiânia dá um passo transformador no campo da educação infantil. A iniciativa reflete o compromisso com o futuro das crianças da cidade, reconhecendo que a qualidade da infraestrutura escolar é um pilar fundamental para o desenvolvimento de qualquer sociedade. Se bem-sucedida, essa ação não apenas melhora as condições materiais dos CMEIs, mas também resgata a dignidade de educadores, alunos e suas famílias, colocando a educação no centro das prioridades do município.