O futebol goiano perdeu, nesta semana, um de seus maiores ícones: José Carlos Paghetti, conhecido carinhosamente como Paghetti, faleceu aos 78 anos em Goiânia, deixando um legado que transcende os campos e resgata memórias de uma era dourada do esporte em Goiás. A causa da morte, até o fechamento desta edição, não havia sido divulgada.
Paghetti foi mais do que um jogador. Atuando primeiramente como atacante, com uma presença marcante no ataque, ele se destacou por sua habilidade técnica, inteligência tática e intensa paixão pelo esporte. Nos anos 1960 e 1970, período em que o futebol goiano consolidava sua identidade regional, Paghetti tornou-se um dos protagonistas dessa construção identitária. Representando clubes como o Vila Nova e o Goiânia Esporte Clube, ele foi uma figura central não apenas dentro de campo, mas também no fortalecimento do amor da torcida local pelo futebol.
Um astro além do gramado
Nascido em Itumbiara, Paghetti iniciou a carreira em sua cidade natal, mas rapidamente chamou atenção dos principais clubes do estado. Aos poucos, ele fincou os pés no imaginário popular como um jogador comprometido com o esporte e com sua comunidade. Trabalhou não apenas como atleta, mas também como treinador, orientando novas gerações de jogadores e compartilhando a experiência adquirida em anos de dedicação ao futebol.
Seu nome ecoa ainda hoje nas arquibancadas e conversas sobre jogos memoráveis. Histórias sobre dribles, gols e até mesmo batalhas perdidas são contadas como parte do folclore do futebol goiano. “Paghetti não era só um jogador, era um símbolo de resistência e amor ao esporte em tempos de menos glamour e mais paixão”, relata o cronista esportivo Júlio César Amarantes.
Conexão com a cultura local
O legado de Paghetti vai além do esporte. A presença marcante do jogador e treinador ajudou a consolidar o futebol como um elemento cultural de coesão em Goiás, destacando-se como expressão genuína das paixões populares. Em suas décadas de atuação, o futebol foi um dos principais alicerces para o fortalecimento da identidade regional em um estado que, à época, buscava seu lugar no cenário nacional.
Paghetti esteve no centro desse movimento, tornando-se uma ponte entre o amor pelo esporte e as transformações sociais e culturais que atravessaram Goiás ao longo do século XX. Ele esteve presente em um momento histórico em que o futebol não era apenas um entretenimento, mas um catalisador de afetos, mobilizando multidões em torno de uma bola e de valores como garra, persistência e trabalho em equipe.
Uma despedida que ecoa
A notícia de sua morte gerou comoção não apenas entre torcedores e ex-companheiros de profissão, mas também na sociedade goiana em geral. Nas redes sociais, diversas homenagens a Paghetti destacaram a importância de sua trajetória e o quanto ele representava para o estado. O Vila Nova, um dos clubes pelos quais jogou, declarou em nota oficial: “Paghetti será para sempre lembrado como símbolo de raça e dedicação ao futebol. Sua ausência será sentida nos nossos corações e na história de Goiás”.
O nome de Paghetti, que agora encontra lugar definitivo na memória coletiva do futebol regional, é um convite à reflexão sobre o papel do esporte na construção da identidade e da cultura de um povo. Sua vida nos recorda que o futebol vai além das quatro linhas; é também uma arena de significados históricos, sociais e emocionais. O adeus ao ídolo, portanto, não é apenas um lamento, mas um reconhecimento de sua contribuição inestimável para o esporte e a cultura goiana.
Em cada canto de arquibancada, da Vila Nova ao Estádio Olímpico, o eco de seu nome continuará a ressoar, avivando memórias e inspirando novas gerações no campo e na vida.