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Funcionário terceirizado morre carbonizado após choque em Goiás

Trabalhador terceirizado da Equatorial, destacado por seu bom humor e coleguismo, perde a vida tragicamente após choque em estrutura elétrica em Goiás. O caso levanta questões sobre segurança no trabalho e responsabilidade das empresas terceirizadas

Liras da Liberdade
Liras da Liberdade

O falecimento de um funcionário terceirizado da Equatorial, ocorrido em Goiás, provocou comoção entre colegas e familiares na última semana. O trabalhador, conhecido por seu bom humor e espírito brincalhão, morreu carbonizado após sofrer um choque elétrico enquanto realizava serviços em uma estrutura de energia elétrica.

De acordo com informações divulgadas pelo jornal O Popular, o incidente ocorreu durante a execução de atividades de rotina em uma torre elétrica. As circunstâncias exatas da fatalidade ainda estão sendo investigadas, mas fontes preliminares sugerem que o trabalhador entrou em contato com uma linha energizada. Apesar dos esforços para resgatá-lo, a gravidade dos ferimentos resultou em óbito imediato no local.

O episódio resgata debates cruciais sobre a segurança no trabalho e os riscos associados à terceirização de serviços em setores estratégicos, como o de energia elétrica. Especialistas apontam que, apesar de avanços na legislação trabalhista brasileira, as condições de trabalho de terceirizados ainda apresentam vulnerabilidades que precisam ser urgentemente enfrentadas.

Uma vida marcada pela alegria

Colegas de trabalho do funcionário, que preferiram não ser identificados, destacaram que ele era conhecido por sua alegria constante e habilidade de interagir positivamente com todos ao seu redor: "Ele era uma pessoa que iluminava qualquer ambiente, sempre pronto com uma piada ou uma palavra de apoio", disse um colega. Segundo relatos, o trabalhador tinha anos de experiência no setor e era respeitado por sua competência técnica.

A tragédia reforça o impacto humano de acidentes laborais, que vão além das estatísticas. A perda de um ente querido nessas circunstâncias deixa um vazio profundo em amigos e familiares, além de trazer à tona a necessidade de discutir com seriedade o ambiente de trabalho.

A terceirização e seus desafios

A terceirização no Brasil é uma prática consolidada, mas também cercada de críticas e preocupações. A Lei 13.429/2017, conhecida como Lei da Terceirização, ampliou a possibilidade de contratação terceirizada em atividades-fim e atividades-meio. Contudo, especialistas alertam para os riscos de precarização das condições de trabalho nesse modelo, especialmente em setores de alta periculosidade.

No caso de empresas de energia, como a Equatorial, a terceirização é amplamente adotada para a realização de serviços de manutenção e operação da rede elétrica. No entanto, a adoção desse modelo não isenta as empresas contratantes de garantir condições adequadas de segurança. Segundo a Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), o setor elétrico é um dos que mais registra acidentes fatais no Brasil, com destaque para falhas no uso ou fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e no treinamento adequado.

Segurança em primeiro lugar

Especialistas na área de segurança do trabalho têm reiterado que acidentes como o ocorrido em Goiás poderiam ser evitados com a implementação de medidas mais rigorosas de fiscalização e treinamento. "Trabalhar com energia elétrica demanda não apenas conhecimento técnico, mas também disciplina operacional e rigor absoluto no cumprimento de normas de segurança", afirmou José Augusto Cunha, engenheiro elétrico e consultor de prevenção de acidentes.

Uma análise publicada recentemente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou que, apesar da queda geral no número de acidentes de trabalho no Brasil, setores como o elétrico ainda enfrentam riscos significativos. A responsabilidade não recai apenas sobre as empresas terceirizadas, mas também sobre as contratantes, que devem assegurar que as contratadas cumpram padrões mínimos de segurança e treinamento.

Nesse sentido, organizações especializadas têm sugerido a implementação de auditorias regulares e o financiamento de programas de capacitação contínua como formas de mitigar os riscos. A adoção de tecnologias de monitoramento remoto também pode ser uma aliada para evitar tragédias em intervenções de alta periculosidade.

A resposta da Equatorial

Até o momento, a Equatorial emitiu uma breve nota lamentando o ocorrido e informando que está colaborando com as investigações. A empresa reafirmou seu compromisso com as medidas de segurança e destacou que as operações realizadas por suas contratadas são supervisionadas de acordo com normas técnicas e de segurança vigentes.

Os familiares da vítima, no entanto, têm buscado informações mais detalhadas sobre o caso. Para eles, a sensação de perda é agravada pelo vácuo de respostas que ainda persiste. A possibilidade de buscar reparação judicial não está descartada, segundo um advogado consultado pela família.

Reflexões além do acidente

A morte do trabalhador em Goiás é mais um lembrete da necessidade de repensar a relação entre empregadores, terceirizados e o Estado na fiscalização das condições de trabalho. Em um setor essencial como o de energia elétrica, garantir a segurança dos trabalhadores não é apenas uma obrigação legal, mas um imperativo ético.

O caso também lança luz sobre o papel da sociedade civil e de entidades sindicais no acompanhamento e denúncia de irregularidades. Apesar dos avanços, o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer no que diz respeito a promover condições dignas de trabalho para todos. Afinal, por trás de cada estatística de acidente existe uma história, uma vida e um impacto que reverbera de forma dolorosa entre aqueles que ficam.

Enquanto as investigações continuam, o legado deixado pelo funcionário é lembrado por seus colegas como o de alguém que, mesmo diante de riscos diários, escolhia sorrir e espalhar leveza ao seu redor. Um exemplo de humanidade que transcende a tragédia.

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