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Energia furtada poderia abastecer mais de 500 mil famílias de baixa renda em Goiás

Relatório da Equatorial indica que Luziânia lidera os casos de furto de energia. Em 2025, operações policiais resultaram em mais de 200 prisões, revelando o impacto econômico e social desses crimes para o estado

Furto de energia em Goiás
Reprodução

Durante o ano de 2025, o volume de energia elétrica furtada em Goiás foi suficiente para abastecer mais de 500 mil consumidores de baixa renda, segundo dados divulgados pela Equatorial, concessionária responsável pelo fornecimento no estado. Luziânia, na região do Entorno do Distrito Federal, despontou como o município com maior incidência de irregularidades. O furto, que tecnicamente é classificado como perda não técnica, causou prejuízos financeiros significativos e motivou uma série de operações policiais que resultaram em mais de 200 prisões ao longo do ano.

A prática conhecida como "gato", que consiste em desvio ou adulteração ilegal de medidores para registrar um consumo menor, tem sido combatida de forma crescente pelas autoridades e pela concessionária. Técnicos especializados, em conjunto com forças policiais, realizaram inspeções em áreas urbanas e rurais, identificando redes clandestinas e dispositivos que comprometem a eficiência do sistema elétrico. "Esse tipo de crime não apenas prejudica as receitas da concessionária, mas impacta diretamente a qualidade dos serviços prestados à população, especialmente às famílias de baixa renda, que poderiam ser beneficiadas por uma distribuição mais justa", explicou um representante da Equatorial.

O problema, entretanto, não é recente. Goiás, um dos estados com maior expansão populacional nos últimos anos, enfrenta um aumento proporcional na demanda por energia. Regiões como o Entorno do Distrito Federal têm um histórico de crescimento desordenado, o que favorece práticas ilegais. Historicamente, a escassez de fiscalização e a falta de políticas públicas voltadas para regularização e infraestrutura elétrica adequada em comunidades vulneráveis contribuíram para que o roubo de energia se tornasse comum.

Segundo dados do setor, as perdas com energia furtada no Brasil atingem bilhões de reais anualmente, com impactos diretos no custo da conta de luz para consumidores regulares. A lógica é simples: os prejuízos são repassados às tarifas, penalizando a maior parte da sociedade pelo reforço necessário ao sistema de distribuição e pela queda de eficiência. Em Goiás, onde as temperaturas elevadas e a utilização crescente de aparelhos eletrodomésticos aumentam a demanda por energia, a sobrecarga causada por ligações clandestinas também contribui para quedas de tensão e interrupções no fornecimento.

Além do impacto econômico, o furto de energia traz riscos à segurança. Redes elétricas clandestinas, muitas vezes instaladas sem critérios técnicos, aumentam as chances de incêndios, curto-circuitos e acidentes fatais. No caso de Luziânia, onde os índices foram alarmantes, os riscos se tornam mais evidentes em áreas periféricas. "São instalações improvisadas, que muitas vezes colocam em perigo não só as pessoas que realizam os furtos, mas toda a comunidade", comentou um especialista em engenharia elétrica consultado pelo Liras da Liberdade.

As operações policiais realizadas em 2025 contaram com o apoio de tecnologias avançadas, como drones e sensores térmicos, que identificam alterações no fluxo elétrico. Um total de 205 prisões foi efetuado durante esse período, envolvendo tanto indivíduos que realizavam os desvios de forma direta quanto organizações criminosas estruturadas para lucrar com o fornecimento irregular. A Justiça goiana também intensificou os processos contra os acusados, com penas que incluem multas e detenção. Apesar disso, especialistas alertam que medidas repressivas precisam ser acompanhadas de políticas de inclusão e conscientização.

Programas de regularização, como tarifas sociais e subsídios para consumidores de baixa renda, têm sido promovidos como alternativas para reduzir os índices de furto. Em Goiás, a Equatorial tem ampliado campanhas educativas para alertar a população sobre a ilegalidade e os riscos do "gato". Há, ainda, esforços para expandir o alcance do programa de Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE), que concede descontos significativos em contas de energia para famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico).

A questão, no entanto, transcende os aspectos técnicos e financeiros. O furto de energia reflete as desigualdades sociais e a falta de acesso pleno a direitos básicos, como a energia elétrica. Em um estado onde boa parte da economia depende de atividades agroindustriais que exigem um fornecimento energético estável, o desafio de combater as perdas não técnicas exige estratégias que combinem repressão, conscientização e planejamento urbano.

O impacto ambiental também é um ponto a ser considerado. Quando a energia é desperdiçada ou desviada, a eficiência do sistema é comprometida, exigindo maior geração de energia, muitas vezes por fontes que dependem de combustíveis fósseis ou que impactam ecossistemas locais. Assim, combater o roubo de energia contribui não apenas para a estabilidade econômica, mas também para a sustentabilidade ambiental.

Enquanto o estado de Goiás avança em programas de modernização do setor elétrico, como a instalação de medidores inteligentes e o investimento em fontes renováveis, o furto de energia permanece como um dos principais entraves para garantir eficiência operacional e justiça social. O volume de energia furtada em 2025, que poderia atender às necessidades de mais de 500 mil consumidores de baixa renda, é um alerta para a urgência do enfrentamento coletivo desse problema.

O combate ao furto de energia não é tarefa isolada de autoridades e concessionárias. Requer o engajamento da sociedade, a articulação de políticas públicas e uma reflexão maior sobre os desequilíbrios socioeconômicos que perpetuam práticas ilegais. Em um momento de crescimento populacional e desafios econômicos, como o que vive Goiás, a promoção de um consumo energético ético e responsável deve ser encarada como uma prioridade estratégica.

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