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INFLUÊNCIA INTELIGENTE TODO DIA

Como a cultura recicla os grandes mitos

De séries como Percy Jackson (Disney+, 2023) a óperas, mangás e games, mitologias grega, nórdica, indiana e asiática são recontadas em formatos contemporâneos. Adaptações para streaming, cinema e jogos levam arquétipos antigos a novos públicos e revigoram tradições.

Dois jovens caracterizados como personagens da mitologia grega em cena da série Percy Jackson
Cena da série Percy Jackson e os Olimpianos (Disney+, 2023), adaptação televisiva dos livros de Rick Riordan.

Os grandes mitos continuam sendo reciclados e atingindo públicos globais por meio de séries, cinema, literatura, mangás, óperas e videogames. Exemplos recentes e históricos — da série Percy Jackson e os Olimpianos (Disney+, 2023) às adaptações cinematográficas de Troia (2004), passando por mangás como Dragon Ball e pelos ciclos wagnerianos — mostram como autores, estúdios e criadores reinterpretam personagens e arquétipos para novos formatos e audiências.

Percy Jackson

Criada pelo norte-americano Rick Riordan, a saga de Percy Jackson mistura referências da mitologia grega, fantasy e cultura contemporânea. Começada nos anos 2000, a série de livros vendeu mais de 180 milhões de exemplares e ganhou adaptações para o cinema e para a televisão: a série produzida para a plataforma Disney+ em 2023 renovou o interesse das novas gerações pelos deuses do Olimpo e suas figuras secundárias (Dédalo, Ganimedes, Tântalo etc.).

Troia (Troy)

O filme de Wolfgang Petersen inspirado na Iliada reencena a beleza e a violência da Guerra de Troia: a luta de Aquiles e Heitor permanece um dos episódios mais visitados pela história da arte ocidental. Embora tenha recebido críticas mistas à sua estreia, o longa atraiu milhões de espectadores, reafirmando a capacidade do cinema de revisitar mitos heroicos.

Quando os deuses andavam na Terra

O hellenista Pierre Judet de La Combe, em programa e livros baseados na sua obra para a rádio pública francesa, reconta semanalmente as histórias da Grécia antiga para milhões de ouvintes, aprofundando personagens como Édipo, Aquiles e Helena e mostrando como nomes e acidentes de destino carregam o sentido trágico dos mitos.

La Belle Hélène

Jacques Offenbach fez do pastiche mitológico uma forma de vaudeville musical com La Belle Hélène (1864). O libreto trata da história de Helena e da Guerra de Troia com ironia e música refinada, respeitando, entretanto, as regras do destino trágico presentes na mitologia.

O Rei Macaco e Dragon Ball

Dragon Ball, de Akira Toriyama, bebeu na lenda chinesa do Rei Macaco (Sun Wukong) para criar Son Goku, um herói que mistura ingenuidade, força e predominância marcial. Com cerca de 230 milhões de cópias vendidas mundialmente, o mangá e suas versões animadas impulsionaram a difusão da cultura japonesa e moldaram gerações que migraram do livro para séries, filmes e jogos.

Os Cavaleiros do Zodíaco

Criado por Masami Kurumada, o universo de Saint Seiya (Os Cavaleiros do Zodíaco) entrelaça mitologia grega e sincretismos — incluindo referências nórdicas como Odin — e incentivou o interesse de jovens por astronomia, panteões e até pela língua grega, através das armaduras e das constelações que representam seus personagens.

Uma adolescente no Olimpo

Obras juvenis como Journal d’une déesse, de Teresa Buongiorno, propõem narrativas em primeira pessoa que reimaginam deuses como Hébé em situações de coming-of-age, aproximando o leitor infantil e adolescente dos mitos por meio de uma escrita íntima e didática.

O Anel do Nibelungo

A tetralogia wagneriana (Ouro do Reno; A Valquíria; Siegfried; O Crepúsculo dos Deuses) adapta lendas germânicas e nórdicas numa obra monumental que influenciou literatura e fantasia moderna. Wagner buscou, pelo mito, tocar o universal — e, apesar de usos políticos posteriores, a dimensão estética e arquetípica da obra permanece.

Thor e os Avengers

Na cultura pop americana, a mitologia nórdica foi incorporada pelos quadrinhos e pelo cinema: Thor e Loki transitaram dos gibis para o universo cinematográfico dos Avengers, atraindo um público infantil e adolescente que reaprende elementos como Yggdrasil, Asgard e a figura de Odin através do entretenimento de massa.

Os gamers e os heróis antigos

Os videogames também se alimentam de mitologias diversas: referências greco-romanas, nórdicas, egípcias, africanas, chinesas e indianas aparecem em dezenas de títulos. Dependendo do tipo de jogo — ação-aventura com avatar ou estratégia com visão superior — o jogador assume o papel de herói ou de estrategista, levando conhecimentos mitológicos a públicos escolares e jovens.

A Flauta Mágica

Mozart recorreu a temas do Egito antigo e à simbologia maçônica em A Flauta Mágica, mistura de ópera séria e brilhante que combina elementos iniciáticos e contos populares, demonstrando a amplitude com que o mito pode servir a projetos artísticos e filosóficos.

Bollywood e os deuses indianos

Na Índia, a mitologia é núcleo da cultura cinematográfica: épicos como Ramayana e Mahabharata alimentam narrativas populares que ganham nova vida em produções contemporâneas — como a saga Baahubali — misturando tradição religiosa, espetáculo e apelo massivo.

Em suma, o que une essas diferentes reinterpretações é a capacidade dos mitos de oferecer arquétipos e conflitos universais que se adaptam a linguagens e plataformas diversas, do teatro lírico às telas do celular, garantindo a perenidade de personagens que, apesar dos séculos, continuam a falar às emoções e às inquietações humanas.

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