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Carnaval 2026 em Goiás registra aumento de 30% nas mortes nas rodovias

Com dez mortes confirmadas, Goiás registra crescimento alarmante no número de vítimas fatais nas rodovias durante o feriado de Carnaval. Operações da PRF intensificaram fiscalizações e apontaram embriaguez ao volante como uma das principais causas

Carnaval 2026 em Goiás registra aumento de 30% nas mortes nas rodovias
Fonte: Jornal Opção (Goiás)

O feriado de Carnaval de 2026 terminou em tragédia nas estradas goianas, com dez mortes confirmadas em rodovias federais que cruzam o estado. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o número representa um aumento de cerca de 30% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar das dezenas de ações educativas e do reforço na fiscalização, a imprudência e a embriaguez ao volante continuam deixando marcas trágicas na segurança viária.

Durante os dias de folia, a PRF intensificou as operações com o objetivo de prevenir acidentes e punir infrações. No total, foram realizados 3.023 testes do bafômetro, resultando na prisão de seis motoristas flagrados sob efeito de álcool. Ainda segundo os dados da corporação, mais de 400 infrações relacionadas a ultrapassagens proibidas e excesso de velocidade foram registradas, fatores que também contribuem significativamente para o aumento dos índices de acidentes graves.

Os números oficiais divulgados pela PRF não apenas preocupam as autoridades, mas também reacendem o debate sobre a eficácia das políticas públicas de segurança no trânsito. De acordo com o inspetor-chefe da PRF em Goiás, Marcelo Andrade, “a combinação entre consumo de álcool, imprudência e desrespeito às leis de trânsito continua sendo um desafio recorrente em feriados prolongados”. A fala do inspetor reflete um problema que se estende pelo país inteiro: o comportamento irresponsável de uma parcela dos motoristas, aliado a falhas estruturais das rodovias, contribui para o aumento das fatalidades e acidentes em períodos de maior fluxo de veículos.

Historicamente, o Carnaval é considerado um dos momentos críticos para os sistemas de trânsito no Brasil devido ao aumento expressivo no número de viagens. Dados da Confederação Nacional de Transportes (CNT) apontam que cerca de 40% dos acidentes graves registrados no ano ocorrem em feriados prolongados, especialmente nas estradas que cortam estados de perfil rodoviário, como Goiás. Ainda que o estado seja estratégico como corredor logístico, o aumento no número de veículos em circulação durante o Carnaval evidencia fragilidades na infraestrutura e no comportamento de condutores.

O avanço tecnológico, como a utilização de radares avançados e o reforço em operações com drones, tem sido uma alternativa para melhorar a fiscalização. Contudo, especialistas apontam que apenas a repressão não é suficiente. Para o consultor de trânsito e urbanismo José Augusto Souza, “a combinação entre ações educativas a longo prazo e maior investimento em infraestrutura rodoviária é fundamental para reduzir os índices”. Ele ainda destaca que campanhas de conscientização devem ter maior amplitude, atingindo principalmente os motoristas jovens – um dos grupos mais vulneráveis e responsáveis por boa parte das ocorrências.

Apesar dos esforços da PRF e de campanhas educativas conduzidas por órgãos públicos e privados, a resistência em adotar hábitos seguros no trânsito ainda é um obstáculo enfrentado pela sociedade brasileira. No caso específico de Goiás, além da imprudência, a precariedade de algumas rodovias estaduais e federais também contribui para agravar as estatísticas. Trechos que deveriam ser duplicados permanecem com pista única, enquanto sinalizações inadequadas comprometem a segurança. Estudos recentes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) apontam que quase 30% das rodovias goianas apresentam algum tipo de problema crítico de conservação.

Esse cenário evidencia a necessidade de políticas públicas que vão além da fiscalização. Investimentos robustos em infraestrutura, educação para o trânsito e políticas de mobilidade são essenciais para reverter o aumento das fatalidades. A tragédia das estradas durante o Carnaval de 2026 é, portanto, um reflexo de uma questão mais ampla, que perpassa a segurança viária e chega ao cerne das prioridades do poder público.

Enquanto familiares e amigos das vítimas se despedem de seus entes queridos, resta à sociedade e aos gestores refletirem sobre os passos necessários para que episódios como esses sejam minimizados. A redução de acidentes e mortes no trânsito não deve ser encarada apenas como uma meta para feriados prolongados, mas como uma política contínua em prol de uma convivência mais segura nas rodovias e estradas do Brasil.

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