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Cãoterapia apoia pacientes com TEA e TDAH em Casa de Apoio de Goiânia

A prática terapêutica com cães vem transformando o atendimento a pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), promovendo avanços no vínculo afetivo, na comunicação e na qualidade de vida dos atendidos

Cãoterapia apoia pacientes com TEA e TDAH em Casa de Apoio de Goiânia
Fonte: Jornal Opção (Goiás)

Na Casa de Apoio ao Paciente Especial de Goiânia, uma iniciativa inovadora está redefinindo a abordagem terapêutica para pacientes diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). A utilização de cães como mediadores terapêuticos, prática conhecida como cãoterapia, tem se mostrado uma ferramenta poderosa para ampliar as possibilidades de tratamento e para promover uma maior autonomia e qualidade de vida dos assistidos.

Inspirada por estudos científicos que destacam os benefícios da interação humano-animal, a Casa de Apoio iniciou há pouco mais de um ano um projeto-piloto que vem sendo tratado como um divisor de águas na rotina dos pacientes. Segundo os responsáveis pela instituição, os resultados, até agora, têm sido “surpreendentes”.

De acordo com Ana Fonseca, psicóloga da instituição, os encontros entre os pacientes e os cães são planejados de acordo com as necessidades específicas de cada indivíduo. “Os cães têm um papel mediador que vai além do simples contato. Eles ajudam a reduzir crises de agressividade, estimulam a comunicação e oferecem suporte emocional”, explica.

Essa abordagem, que combinou ciência e afeto, ganhou notoriedade no Brasil ao longo da última década, mas ainda é considerada uma especialidade pouco explorada. Nos Estados Unidos e na Europa, terapias assistidas por animais, especialmente cães, já são amplamente adotadas como parte de estratégias multidisciplinares de saúde mental e reabilitação.

Os benefícios da cãoterapia são respaldados por estudos na área de psicologia e neurociência. O contato com os animais, especialmente os cães, tem o potencial de liberar hormônios como oxitocina, conhecidos por reduzir os níveis de estresse e promover bem-estar. Na prática, isso se traduz em um impacto positivo tanto na saúde emocional quanto no comportamento. Essa interação tem demonstrado capacidade de aumentar a concentração, aprimorar habilidades sociais e reduzir sintomas de ansiedade em pessoas com TEA e TDAH.

Mas como funciona na prática? Na Casa de Apoio de Goiânia, os pacientes participam de sessões individuais ou em pequenos grupos, supervisionados por psicólogos e profissionais da área de saúde. Os cães, selecionados e treinados especificamente para o trabalho terapêutico, desenvolvem laços de confiança com os pacientes. A partir desses laços, atividades como caminhadas, brincadeiras e exercícios se tornam catalisadoras de mudanças comportamentais. “A presença do cão cria um ambiente menos intimidante, facilitando até mesmo o diálogo com o terapeuta”, afirma Guilherme Andrade, treinador de cães e parceiro da iniciativa.

Um caso emblemático registrado pela instituição foi o de Juliana, uma paciente de 11 anos diagnosticada com TEA. Antes de iniciar a cãoterapia, Juliana tinha grandes dificuldades em interagir com outras pessoas e quase não se comunicava verbalmente. Após meses de sessões regulares, sua mãe relata que ela passou a chamar o cão pelo nome e começou a aceitar interações sociais mais frequentes. “Foi como se aquele cachorro tivesse conseguido acessar algo que ninguém mais conseguia”, relata a mãe, emocionada.

No entanto, apesar dos bons resultados, a cãoterapia ainda enfrenta desafios importantes. Um deles é o financiamento. Projetos como este muitas vezes dependem de doações e parcerias para custear tanto os treinamentos dos cães quanto os cuidados veterinários. Além disso, a formação de profissionais na área também representa um gargalo. Há poucos cursos especializados disponíveis no Brasil, o que limita a expansão da prática.

Para incrementar a estrutura, os idealizadores do projeto já buscam novas parcerias e estratégias de divulgação que possam angariar recursos para dar continuidade à iniciativa. Uma campanha de arrecadação foi recentemente lançada nas redes sociais da instituição, convidando empresas e a comunidade a contribuírem para o fortalecimento do programa.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a prevalência de transtornos neuropsiquiátricos, como o TDAH e o TEA, tem aumentado globalmente. Em países como o Brasil, onde o acesso às terapias especializadas ainda é restrito devido à desigualdade social, iniciativas como esta se tornam uma esperança para muitas famílias.

Além do impacto terapêutico, a cãoterapia também reforça reflexões sobre o papel dos animais na sociedade. Para muitos dos pacientes, os cães deixaram de ser apenas animais de companhia para se tornarem verdadeiros agentes de transformação.

A Casa de Apoio ao Paciente Especial de Goiânia tem sido um exemplo da força que iniciativas locais podem ter ao unir ciência e sensibilidade. Enquanto os resultados positivos continuam a aparecer, os idealizadores já projetam uma ampliação do projeto, possibilitando que mais pacientes se beneficiem.

Com a cãoterapia, a instituição não apenas oferece suporte à saúde mental e física de pessoas com TEA e TDAH, mas também promove uma visão ampliada sobre o papel dos animais na construção do bem-estar humano, fortalecendo laços que transcendem a barreira do silêncio e do isolamento.

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