Ir direto para o conteúdo
INFLUÊNCIA INTELIGENTE TODO DIA

Câncer de pele causou 362 mortes em Goiás em pouco mais de dois anos

Entre 2024 e o início de 2026, 362 goianos perderam a vida devido ao câncer de pele, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES). O aumento dos casos alerta para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce em um estado com forte exposição solar

Câncer de pele causou 362 mortes em Goiás em pouco mais de dois anos
Fonte: Jornal Opção (Goiás)

O câncer de pele ocasionou a morte de 362 pessoas em Goiás no intervalo de pouco mais de dois anos. Este é o número registrado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) entre 2024 e o início de 2026, conforme levantamento divulgado recentemente. O balanço foi subdividido em 194 mortes em 2024, 165 em 2025 e três óbitos apenas nos primeiros 30 dias de 2026.

Segundo especialistas, os dados chamam atenção para um problema de saúde pública que pode ser minimizado com maior conscientização e medidas preventivas. Goiás, por sua localização geográfica e clima tropical semiúmido, apresenta altos índices de exposição solar ao longo do ano, o que agrava os riscos para a população. Apesar do avanço em campanhas de esclarecimento, os índices de mortalidade continuam altos, indicando que muitos casos ainda são diagnosticados tardiamente ou não recebem o tratamento adequado.

O perigo do câncer de pele

O câncer de pele é o tipo mais frequente de tumor diagnosticado no Brasil, segundo informações do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Ele se divide em dois tipos principais: o melanoma, mais raro e agressivo, e o não melanoma, que apesar de menos letal, representa a maioria dos casos e possui alta incidência. Os principais fatores de risco incluem a exposição desprotegida ao sol, fototipos de pele mais claros e histórico familiar da doença.

Em Goiás, o aumento da mortalidade por esse tipo de câncer reforça a urgência de ações efetivas para combater o problema. A médica dermatologista Amanda Silva explica: “O uso de protetor solar, roupas de proteção, chapéus e óculos são medidas simples e eficazes que podem reduzir drasticamente os riscos. Ainda assim, infelizmente, muitas pessoas subestimam os perigos da radiação ultravioleta”.

A relação com o clima e os hábitos locais

Com altas temperaturas e muitos dias ensolarados, Goiás está entre os estados brasileiros mais expostos à radiação solar. Especialistas destacam, ainda, que a cultura de atividades ao ar livre, incluindo o trabalho em áreas rurais e a prática de esportes, contribui para a vulnerabilidade da população local. Como resultado, o índice de doenças relacionadas ao sol tende a ser elevado na região.

Entretanto, questões culturais e a falta de acesso a serviços de saúde também desempenham um papel importante. Dados da SES apontam que muitas pessoas deixam de buscar atendimento médico até que os sintomas do câncer de pele se tornem mais evidentes, o que reduz as chances de um tratamento bem-sucedido. Campanhas pontuais de conscientização vêm sendo realizadas, mas ainda há um longo caminho para assegurar que a prevenção e o diagnóstico precoce alcancem todas as camadas da sociedade.

Políticas públicas em xeque

Diante da gravidade do cenário, ações de saúde pública têm sido implantadas para reverter os números alarmantes. Programas de triagem, consultas em mutirões e a oferta de protetores solares gratuitos em algumas unidades básicas de saúde são algumas das estratégias adotadas em Goiás. Contudo, especialistas afirmam que é necessário um plano mais abrangente e contínuo para enfrentar a problemática.

O oncologista Marcos Tavares observa que o foco não deve se restringir ao tratamento, mas priorizar a educação para a saúde: “A prevenção deve ser prioridade. Programas de esclarecimento em escolas, empresas e comunidades são fundamentais para mudar a relação das pessoas com o sol. Além disso, centros de diagnóstico devem estar preparados para atender a demanda de maneira ágil”.

Avanços na detecção e tratamento

Apesar de as estatísticas preocuparem, avanços no tratamento e diagnóstico têm trazido esperança. O desenvolvimento de novos métodos, como técnicas de biópsia menos invasivas e terapias direcionadas, tem garantido melhores resultados para pacientes que recebem o tratamento precocemente. Além disso, parcerias entre instituições públicas e privadas têm ajudado a aumentar o alcance de exames preventivos em diversas regiões do estado.

Contudo, o acesso desigual a essas tecnologias ainda é um desafio. Em áreas rurais ou comunidades mais afastadas, a dificuldade em acessar consultas dermatológicas persiste, o que agrava os casos de subnotificação e diagnóstico tardio. A interiorização das políticas de saúde, neste sentido, é apontada como um ponto-chave para a mudança no panorama atual.

O papel da população

Ao mesmo tempo em que o poder público tem responsabilidade de promover ações assertivas, a conscientização individual também é essencial. Com o verão se aproximando, especialistas reforçam a importância de hábitos saudáveis, como o uso diário de protetor solar, a busca por sombra nos horários de maior radiação UV e a realização de autoexames na pele para identificar alterações suspeitas. Sinais como pintas que mudam de cor, tamanho ou formato devem ser avaliados por um médico.

A pedagoga Luciana Melo, moradora de Goiânia, relatou que um diagnóstico precoce salvou sua vida: “Eu imaginei que era só uma pintinha normal, mas resolvi procurar um dermatologista. Felizmente, era um carcinoma em estágio inicial, e o tratamento foi rápido e eficaz. Hoje, eu não saio mais de casa sem protetor e tento conscientizar minha família sobre os perigos do sol excessivo”.

Reflexão e chamada à ação

Dados como os apresentados pela SES são um alerta claro para a necessidade de mudança. Combinando educação, acesso à saúde e campanhas permanentes, é possível frear o avanço do câncer de pele em Goiás. Além disso, a sociedade como um todo deve ser engajada na luta contra uma doença silenciosa, mas que pode ser fatal quando não diagnosticada e tratada a tempo.

É urgente que governo, especialistas e a população unam esforços para transformar uma realidade que, embora sombria, pode ser combatida. Afinal, ao cuidar da pele, cuidamos também da vida.

PUBLICIDADE

Comentários

Mais recente