Ir direto para o conteúdo
INFLUÊNCIA INTELIGENTE TODO DIA

Caiado elimina taxa do agro com Wilder Morais na corrida ao Senado

Governador Ronaldo Caiado extingue polêmica contribuição do setor agropecuário em Goiás, movimento que ocorre em meio à candidatura de Wilder Morais ao Senado, acirrando disputas políticas no estado e atraindo atenção para as estratégias do governo

Ronaldo Caiado enquanto criança, na década de 1950
Foto: Unknown authorUnknown author / Wikimedia Commons

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), anunciou nesta semana o fim da contribuição obrigatória que incidia sobre o setor agropecuário no estado. A medida ocorre em um momento estratégico, quando Wilder Morais – ex-senador e nome forte junto ao agronegócio – entra oficialmente na disputa por uma vaga no Senado. O movimento de Caiado chamou atenção tanto pelo impacto econômico quanto pelos desdobramentos políticos que pode causar na já intensa competição eleitoral em Goiás.

Caiado divulgou a decisão em um evento público em Goiânia, destacando que a extinção da taxa atende a uma demanda histórica do setor agropecuário, base relevante da economia local. “Era necessário ouvir o campo. Essa decisão simboliza o compromisso do nosso governo em desburocratizar e diminuir os fardos que pesam sobre os produtores”, afirmou Caiado. A taxa, que tinha como objetivo financiar serviços de fomento agropecuário, vinha sendo alvo de críticas devido à falta de clareza na aplicação dos recursos.

A decisão, entretanto, vai além de sua justificativa técnica. O contexto político em que ela foi tomada sugere um cálculo cuidadoso. A entrada de Wilder Morais, que já passou pela administração Caiado como secretário de Indústria e Comércio, representa um reforço à bancada do governador, que agora terá um aliado de peso na disputa pela vaga no Senado. Para alguns analistas políticos, o gesto de extinguir a taxa pode ser interpretado como um aceno direto ao setor agropecuário, buscando consolidar uma base eleitoral estratégica para 2024.

Nos bastidores, a extinção da taxa gerou reações mistas. Entidades ligadas ao agronegócio celebraram a medida como uma vitória em um momento de desafios econômicos, como a alta dos insumos agrícolas e os efeitos das mudanças climáticas sobre a produção. A Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) emitiu nota destacando o impacto positivo da decisão, que, segundo a entidade, trará maior competitividade aos produtores locais.

Por outro lado, vozes da oposição levantaram questionamentos sobre o momento escolhido para o anúncio. Deputados e líderes políticos contrários ao governo interpretaram a decisão como uma jogada eleitoral disfarçada de ato administrativo. “Não há dúvidas de que o governador está usando o poder da máquina pública para angariar apoio político. É um movimento claro, especialmente com as eleições tão próximas”, criticou um parlamentar da oposição, que preferiu não se identificar.

A relação de Caiado com o setor agropecuário é histórica e frequentemente exaltada por ele em discursos. Filho de produtores rurais e médico veterinário de formação, o governador consolidou sua trajetória política sendo um dos principais defensores dos interesses do agronegócio, tanto em Goiás quanto em sua atuação nacional, enquanto senador. Porém, o fim da contribuição não é isento de controvérsias. Economistas apontam que, embora a medida seja bem-recebida pelo setor produtivo, ela pode impactar negativamente as receitas estaduais destinadas ao desenvolvimento rural.

A taxa suprimida representava um importante auxílio financeiro para programas de modernização agrícola, combate a pragas e outras iniciativas voltadas à sustentabilidade e inovação no campo. A partir de agora, resta saber como a máquina pública irá compensar essa lacuna nos investimentos. Ainda assim, a decisão ecoa a retórica de desoneração praticada pelo governo federal, que tem buscado aliviar a carga tributária de diversos setores econômicos.

A entrada de Wilder Morais na corrida ao Senado é outro fator que dinamiza o tabuleiro político goiano. Empresário de sucesso e com laços estreitos junto a vários setores produtivos, Morais já começa a articular sua campanha com força e tende a se beneficiar do respaldo do governo estadual. Sua candidatura, no entanto, enfrentará desafios, incluindo a concorrência de figuras tradicionais da política goiana que também almejam a vaga.

Para além das imbricações locais, a decisão de Caiado toca em um ponto sensível do debate nacional: a relação entre subsídios ou desonerações e os impactos econômicos de longo prazo. Alguns especialistas alertam que isenções direcionadas, embora populares, podem gerar desequilíbrios fiscais em estados que já enfrentam dificuldades para fechar suas contas. Em Goiás, a eliminação da taxa do agro será um tema acompanhado de perto tanto pelos analistas econômicos quanto pelos estrategistas políticos.

Analistas ouvidos pelo Liras da Liberdade avaliam que a estratégia de Caiado é complexa, mas bem calculada. Ao mesmo tempo em que ele reforça sua imagem como defensor do agronegócio, cria um ponto de convergência com Wilder Morais, que terá no setor uma de suas principais bases de apoio. O desfecho dessa movimentação ainda é incerto, mas não há dúvidas de que a política goiana ganha novas nuances com a combinação de estratégia tributária e alianças eleitorais.

Por ora, produtores e estrategistas políticos observam os desdobramentos com atenção. A decisão de revogar a contribuição do agro poderá definir não apenas os rumos da economia do estado, mas também os arranjos de poder que moldarão a disputa eleitoral de 2024. Mais do que uma questão de finanças públicas ou de agronegócio, o gesto de Caiado é um capítulo emblemático de como, muitas vezes, economia e política se confundem em momentos decisivos para o futuro de um estado.

PUBLICIDADE

Comentários

Mais recente