Um bombeiro militar ficou ferido após ser atacado por cães em situação de rua próximo ao Estádio Serra Dourada, em Goiânia, nesta semana. O incidente ocorreu enquanto o profissional, cujo nome não foi divulgado, realizava sua rotina de trabalho na região. Segundo relatos da corporação, o episódio obrigou o militar a agir em legítima defesa, resultando em um disparo contra um dos animais.
De acordo com informações emitidas pelo Corpo de Bombeiros de Goiás, a área próxima ao Serra Dourada tem sido palco de recorrentes ataques de cães abandonados, que muitas vezes agem em matilhas. Essas situações têm despertado preocupações tanto entre moradores quanto entre servidores públicos que circulam pela região devido a suas atividades profissionais. “A segurança das pessoas que transitam pelas proximidades tem sido ameaçada, e medidas precisam ser tomadas com urgência”, afirmou um representante da corporação, que preferiu não se identificar.
O militar atacado sofreu ferimentos leves, recebeu atendimento médico e passa bem. Já o cão alvejado pelo disparo foi encaminhado para uma clínica veterinária, mas seu estado de saúde não foi divulgado até o fechamento desta matéria. Instituições ligadas à causa animal se manifestaram, destacando a necessidade de uma abordagem que alie segurança pública e proteção aos direitos dos animais.
Um problema recorrente
A presença de cães em situação de rua é uma questão que se repete em várias regiões de Goiânia, mas a área do Serra Dourada tem se tornado notória por episódios evidentes de agressividade por parte de grupos de animais. Apenas no último trimestre, foram registradas pelo menos seis ocorrências similares, envolvendo tanto servidores públicos quanto transeuntes comuns. Especialistas apontam que a concentração de cães neste ponto pode ser explicada pela alta rotatividade de pessoas e pelo descarte irregular de alimentos nas proximidades do estádio, o que atrai os animais em busca de comida.
O veterinário e ativista em bem-estar animal Carlos Henrique Tavares afirma que a situação é alarmante e requer uma resposta integrada. “Quando falamos de cães em situação de rua, estamos lidando com um problema que envolve saúde pública, políticas de castração, abandono e até mesmo a necessidade de educação da população sobre os cuidados com os animais. É um tema complexo, que exige ações conjuntas entre o poder público e a sociedade civil”, destacou Tavares.
Respostas em curso
A Prefeitura de Goiânia, por meio da Diretoria de Proteção Animal, informou em nota que está ciente da situação e que ações de captura e monitoramento dos cães já estão sendo realizadas. O objetivo, segundo o órgão, é retirar os animais das ruas e encaminhá-los para lares temporários ou abrigos, onde possam receber cuidados básicos, incluindo vacinas e castração.
No entanto, ONGs de proteção animal e ativistas ainda veem com ceticismo as medidas anunciadas. Ana Paula Moura, presidente de uma instituição que atua em Goiânia, destaca que as ações ainda são pontuais e não resolvem o problema na raiz. “É fundamental que haja campanhas intensivas sobre a importância da castração e da adoção responsável. Do contrário, apenas estaremos enxugando gelo”, apontou a ativista.
Já o deputado estadual João Carlos Andrade, que preside a Comissão de Direito dos Animais na Assembleia Legislativa de Goiás, reforçou a importância de destinar mais recursos para políticas públicas voltadas ao controle populacional de animais em situação de rua e à fiscalização contra o abandono. “A legislação já prevê punições para quem abandona animais, mas precisamos que ela seja realmente aplicada. Além disso, é necessário investir em campanhas educativas e no apoio às ONGs que desempenham um papel fundamental na sociedade”, afirmou o parlamentar.
Dimensão social do problema
O abandono de animais no Brasil é uma questão que envolve múltiplos fatores, incluindo o crescimento urbano desordenado, a falta de educação e consciência sobre a guarda responsável e a ausência de políticas de controle reprodutivo eficazes. Segundo estimativas de ONGs e entidades de proteção animal, o Brasil possui aproximadamente 30 milhões de animais em situação de rua, entre cães e gatos. A pandemia da Covid-19 agravou ainda mais a problemática, com o aumento dos casos de abandono devido à crise econômica.
Especialistas destacam que a solução para o problema requer um olhar estruturado e políticas públicas abrangentes.