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ALAP – o cinquentenário bate às portas

Às vésperas de completar 50 anos, a Academia de Letras e Artes do Planalto reafirma sua relevância histórica e cultural. No artigo, Eliézer Bispo, jornalista e presidente da Alap, celebra a trajetória da instituição e projeta seu jubileu.

Eliézer Bispo é o atual presidente de uma das mais tradicionais casa de letras de Goiás, ALAP. (Crédito: Reprodução/Acervo ALAP)

Quando a imorredoura Santa Luzia, concebida pelo bandeirante Antônio Bueno de Azevedo, celebrou 230 anos de história, em 13 de dezembro de 1976, um grupo de intelectuais brilhantes do Planalto Central, liderados por Gelmires Reis (1893-1983) e José Dilermando Meireles (1928-1998), dentre outros, tiveram a luminosa ideia de criar uma instituição cultural para guardar e preservar a fulgurante história de uma das mais importantes regiões de Goiás e do Brasil.

Naquela data, Brasília, nascida da generosa Luziânia, município que, além da capital federal, deu vida a outras seis cidades goianas, já contava com 16 anos de inauguração. Com isso, o seleto grupo viu a necessidade de se criar uma confraria capaz de eternizar a identidade regional, que não poderia se perder diante da concretização do “sonho dos candangos”. Nascia, então, a Academia de Letras e Artes do Planalto (Alap), com o preceito estatutário de ser uma “entidade sem fins lucrativos, que tem por finalidade a produção, levantamento e conservação do patrimônio cultural e artístico, da língua, da literatura, das artes e das tradições do Planalto Central do Brasil.”

E a agremiação, que está sediada no Centro Histórico de Luziânia, em um casarão construído há quase dois séculos, cedido em regime de comodato pela família do imortal Dilermando Meireles, não fugiu de seu propósito inicial, haja vista continuar sendo uma referência cultural para toda a sociedade centro-planaltense. Para se ter uma ideia desse firme propósito, basta dizer que, como patronos das 40 cadeiras da Alap, figuram personalidades que contribuíram e contribuem em variados aspectos para o enriquecimento cultural da região, que é pródiga em produção artística e intelectual.

Tanto é verdade que, desde sua origem, seus membros são escritores, poetas, artistas plásticos, atores, músicos, pesquisadores, juízes, promotores, advogados, médicos, jornalistas, professores, enfim, uma gama de profissionais e produtores de arte que fomentam e movimentam as facetas artísticas, históricas e culturais do Planalto Central.

Assim, é importante registrar que, ao longo de 49 anos de existência, a Alap não possui apenas uma estrela em seu célebre rol de membros, mas uma verdadeira constelação de notáveis, dos quais, para exemplificar, me atrevo a citar o nome de apenas cinco gigantes que ocuparam ou ocupam cadeiras no colossal sodalício:

Gelmires Reis, que é patrono da cadeira de número 32, foi membro-fundador e primeiro titular da cadeira de número 4, autor do emblemático livro Efemérides Goianas, compositor do Hino de Santa Luzia, membro-fundador da Academia Goiana de Letras (AGL) e sócio do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG);

Dirso José de Oliveira (1932-2005), ou simplesmente DJ Oliveira, artista plástico que pertenceu ao primoroso grupo de fundadores e teve a sua obra apreciada e admirada por todo o Brasil;

O lendário e longevo Amaury Menezes, luzianiense herdeiro da cadeira de DJ que, aos 95 anos, vive na icônica cidade de Goiás e tem suas telas reverenciadas e reconhecidas por quem tem gosto refinado para a arte, pois sua obra reluz e faz bem para qualquer retina;

Geraldo Coelho Vaz, poeta, pesquisador e escritor que, aos 85 anos, continua produzindo e lançando livros sobre temas que enriquecem a história do Estado e fazem os leitores viajar pelas páginas de sua poesia;

E, por fim, Jarbas Silva Marques, octogenário historiador que conhece como poucos a história do Planalto Central, de Brasília e de Goiás, o que se pode comprovar na numerosa publicação de artigos de sua autoria, nas excelentes palestras proferidas em variados locais e em entrevistas concedidas a uma imensidão de veículos de comunicação e a pesquisadores.

Citando somente este magnífico quinteto, dá para observar a significativa contribuição que a Alap oferece à população, conforme proposto em sua fundação. Contribuição essa que atravessa o tempo e os limites do Planalto, se espalhando pelo Brasil e pelo mundo, porque a arte, a cultura e a história difundidas pelos acadêmicos, têm asas que nunca param de balançar e vão ao encontro de novos horizontes, por mais longínquos que sejam.

Desta forma, em decorrência desse alicerce erigido ao longo dos anos, a Alap tem base sólida e plenas condições de celebrar seu cinquentenário à altura da sua importância e de acordo com o que a população merece e espera. Para isso, haverá programação especial em suas sessões mensais de 2026, mas, também, eventos comemorativos que serão realizados até culminar com seu aurífero jubileu, que ocorrerá em 13 de dezembro deste ano. E você é convidado a fazer parte deste momento insigne, que já está batendo às nossas portas.


Eliézer Bispo, jornalista, presidente da Alap, ocupante da cadeira número 21, que tem como patrono Kisleu Dias Maciel

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