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Adolescente é agredido por PM com socos e tapas durante abordagem em Goiás

Imagens de uma abordagem policial em Goiás mostram um policial militar agredindo um adolescente com socos e tapas. O caso, que gerou indignação e mobilizou a sociedade civil, está sendo investigado pelas autoridades locais.

Adolescente agredido por policial militar
Reprodução

As ruas de Goiás foram palco de mais um incidente que levanta questionamentos sobre a conduta policial e os limites do uso da força no Brasil. Um vídeo que viralizou nas redes sociais nesta quarta-feira (data não especificada) mostra um policial militar agredindo fisicamente um adolescente durante uma abordagem, com socos e tapas, em pleno espaço público. O episódio aconteceu em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana de Goiânia, e rapidamente gerou indignação entre a população e organizações de direitos humanos.

De acordo com informações preliminares, o jovem, cuja identidade não foi revelada por questões legais, teria sido abordado junto a outros adolescentes em uma operação policial que, segundo testemunhas, começou com uma revista de rotina. Em um momento registrado por populares, o policial desfere golpes no adolescente, mesmo diante de nenhuma resistência evidente. O vídeo, amplamente compartilhado, trouxe à tona uma discussão sobre a conduta da Polícia Militar (PM) e os direitos dos cidadãos durante abordagens.

A Polícia Militar de Goiás emitiu um comunicado afirmando que o caso está sendo investigado. De acordo com a nota oficial, “todo e qualquer desvio de conduta será apurado com rigor, assegurando o devido processo legal e o contraditório para o agente envolvido”. A corporação também destacou que o policial foi afastado de suas funções enquanto investigações administrativas e, possivelmente, judiciais, são conduzidas.

Um problema institucional e histórico

A violência policial no Brasil não é um fenômeno isolado, mas fruto de uma construção histórica enraizada em práticas de repressão e exclusão social. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam que mais de 6 mil pessoas foram mortas em operações policiais apenas no último ano, sendo, em sua maioria, jovens negros de comunidades periféricas.

Especialistas apontam que tais incidentes são reflexos de um sistema que frequentemente falha na formação, supervisão e responsabilização de agentes de segurança pública. “O uso excessivo da força não é apenas uma falha individual, mas um sintoma de uma crise estrutural. Esses casos reforçam a urgente necessidade de uma reforma ampla e profunda nas instituições policiais do país”, afirma Clara Mendes, socióloga especializada em segurança pública e desigualdade social.

A sociedade civil e os ecos da indignação

Após a divulgação do vídeo, movimentos sociais e organizações de direitos humanos se manifestaram veementemente. O Instituto de Defesa dos Direitos Humanos (IDDH), por exemplo, classificou o ocorrido como “mais um exemplo de abuso de autoridade e violação de direitos fundamentais”. A entidade enfatizou a importância da responsabilização e do monitoramento independente de práticas policiais.

No plano institucional, parlamentares e lideranças locais também reagiram. O deputado estadual Luís Amorim (PSOL), conhecido por sua atuação em pautas ligadas à segurança pública, anunciou que encaminhará à Assembleia Legislativa um pedido formal para a criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) que investigue casos de abuso de autoridade na Polícia Militar de Goiás.

Análise: a difícil equação entre segurança e direitos

A tensão entre segurança pública e respeito aos direitos individuais é um dos dilemas mais complexos vividos pelas democracias contemporâneas. No Brasil, onde os índices de violência urbana são alarmantes, há uma pressão social por respostas rápidas e enérgicas das forças de segurança. Contudo, as medidas adotadas não raramente resultam em episódios como este, em que o uso desproporcional da força transforma agentes estatais em violadores de direitos, minando sua legitimidade.

“A sensação de insegurança vivida pela população não pode justificar o atropelo de garantias constitucionais. Qualquer abordagem policial, por mais justificada que seja, deve respeitar os limites impostos pela lei e os direitos humanos”, destaca o jurista Ricardo Alves, professor de Direito Penal da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Em um estado democrático de direito, a atuação das forças policiais deve estar subordinada a princípios constitucionais, como o respeito à dignidade da pessoa humana e à presunção de inocência. Casos como o ocorrido em Goiás expõem uma ferida aberta na sociedade brasileira e reforçam a necessidade de reavaliar a forma como as políticas de segurança são implementadas.

Próximos passos e o papel das instituições

O desfecho do caso ainda é incerto, mas o episódio já trouxe à tona importantes debates. De um lado, a reação da sociedade aponta para um crescente movimento de controle social sobre as forças de segurança, impulsionado pela disseminação de registros audiovisuais. De outro, destaca os limites da estrutura atual para lidar com casos de abuso e violência institucional.

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Goiás afirmou que acompanhará de perto as investigações e cobrará das autoridades competentes a devida responsabilização. A entidade reforçou a necessidade de aprimoramento na formação dos agentes de segurança, com ênfase no respeito aos direitos humanos e na resolução pacífica de conflitos.

O caso em Aparecida de Goiânia soma-se a uma longa lista de episódios que requerem mais do que medidas punitivas pontuais. Para muitos especialistas, a sociedade brasileira precisa lidar de forma estrutural com os fatores que alimentam a violência policial, o racismo e a desigualdade, a fim de garantir que a segurança pública seja um direito – e não um risco – para todos os cidadãos.

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