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INFLUÊNCIA INTELIGENTE TODO DIA

A influência das emoções na construção da história humana

A história das emoções, campo emergente nos estudos sociais, revela a complexa interação entre afetos e ações humanas. Edson Silva de Lima, professor da UEG, discute sua importância e os desdobramentos dessa abordagem no entendimento de transformações sociais e culturais ao longo do tempo.

A influência das emoções na construção da história humana
Fonte: Nexo Jornal

A história das emoções, ainda em desenvolvimento no Brasil, busca compreender como os afetos influenciam as ações humanas ao longo do tempo, destacando que não há ação puramente racional, mas sempre uma intersecção com o emocional. Edson Silva de Lima, professor de história da Universidade Estadual de Goiás, defende que as emoções são um componente fundamental na construção da vivência coletiva e individual, e que seu estudo é essencial para uma interpretação mais rica da história.

"As emoções têm um papel fundamental na maneira como somos inseridos no mundo", argumenta Lima. Ele ressalta que a análise das emoções permite um entendimento mais profundo da experiência humana, um aspecto frequentemente negligenciado pela historiografia tradicional, que privilegia a razão e a lógica.

O campo da história das emoções emergiu na década de 1990, parte de um movimento mais amplo conhecido como virada afetiva. Nessa nova abordagem, conceitos de subjetividade, corpo e cultura desafiam as dicotomias estabelecidas entre razão e emoção, e corpo e mente. Lima explica que, embora algumas emoções sejam consideradas universais, sua manifestação é sempre mediada por contextos culturais e históricos.

Citando estudiosos como William Reddy e Barbara Rosenwein, Lima destaca que as emoções se manifestam de maneiras diversas em diferentes momentos históricos. Reddy, por exemplo, defende que mudanças significativas, como as que ocorreram durante a Revolução Francesa, estiveram profundamente enraizadas em um desejo coletivo de transformação emocional e cultural, enquanto Rosenwein explora como 'comunidades emocionais' compartilham normas e práticas em contextos históricos específicos.

No Brasil, a história das emoções ainda engatinha, mas já apresenta algumas iniciativas promissoras. Lima menciona a professora Beatriz Vieira, cuja pesquisa sobre poesia marginal nos anos 70 revela um vocabulário afetivo intrínseco à experiência histórica. Outras figuras notáveis incluem o professor Marcelo de Mello Rangel, que analisa a melancolia e a felicidade na crise da modernidade, e a professora Marionilde Dias de Magalhães, que investiga sensibilidades coletivas na história política.

"Não podemos esquecer que as emoções moldam não apenas a vida pessoal, mas também a política e a sociedade. A mobilização das emoções é central em momentos de mudança social", afirma Lima. Ele observa que emoções como medo, esperança e ressentimento são frequentemente manipuladas na política contemporânea, especialmente em contextos de polarização.

O estudo das emoções, portanto, não se limita a um aspecto da experiência humana, mas se torna uma chave para entender a complexidade das interações sociais e das transformações históricas. A história, segundo Lima, é feita de emoções, e ao ignorá-las, perdemos uma parte vital de nossa compreensão do passado e do presente. "Estamos sempre imersos em um conjunto de emotividades que nos conectam a tempos e espaços específicos, moldando nossa percepção e nossas ações", conclui.

Conforme o campo se expande, fica claro que a história das emoções não é apenas uma nova lente sobre o passado; é um convite a repensar como entendemos a experiência humana em sua totalidade, revelando a intersecção entre emoção, razão e a construção da história.

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